Você tem um processo na Justiça e recebe uma mensagem com a foto do seu advogado, o nome do escritório e o número correto da ação. A notícia parece boa: há um valor a receber. Só falta pagar uma “taxa”, por Pix, ainda hoje. Esse é o roteiro do golpe do falso advogado. Antes de transferir qualquer quantia, interrompa a conversa e confirme a informação por um canal que você já conhece.

O golpe convence porque mistura informações verdadeiras com uma cobrança inventada. Este guia explica como reconhecer a abordagem, verificar a identidade de quem entrou em contato e agir se o pagamento já tiver sido feito.

Antes de pagarConfirme pelo canal conhecido
Se houve PixAvise o banco imediatamente
Para a apuraçãoPreserve as provas

Em notícia publicada em 6 de fevereiro de 2026, a OAB SP informou 4.388 denúncias em pouco mais de um ano e meio. No Rio de Janeiro, a Corregedoria da OAB havia identificado mais de duas mil denúncias até julho de 2026, segundo reportagem da Agência Brasil. São registros de períodos e localidades distintos, e não um total nacional atualizado.

Como o golpe funciona

A abordagem pode variar, mas costuma combinar cinco etapas:

  1. Coleta de informações. Os criminosos usam dados de processos, como nomes das partes, número da ação e identificação do advogado. Também podem explorar vazamentos ou acessos indevidos a sistemas. Saber esses detalhes não comprova que a pessoa integra o escritório.
  2. Imitação do profissional. Um perfil de WhatsApp passa a exibir a fotografia e o nome do advogado, às vezes acompanhados da marca do escritório. E-mails com endereços parecidos com o verdadeiro também podem ser usados.
  3. Promessa de recebimento. O contato anuncia ganho de causa, acordo ou alvará e apresenta um valor que a vítima teria a receber.
  4. Cobrança antecipada. Para receber, seria necessário pagar uma suposta taxa, imposto ou “validação bancária”, frequentemente para conta de terceiro.
  5. Pressão para decidir. O fraudador afirma que o prazo acaba naquele dia ou pede sigilo, tentando impedir a conferência com o advogado verdadeiro.

Há variações com falsos servidores, oficiais de justiça e links para atualização de cadastro. Fotografias, áudios e até a voz aparentemente conhecida não bastam para autenticar um pedido: a orientação é retornar pelo contato já confirmado, inclusive diante de possíveis imitações por inteligência artificial.

Dados reais não tornam a cobrança verdadeira. Uma mensagem de um desconhecido não é ordem judicial. Não faça o pagamento por receio de perder o valor anunciado; confirme a situação do processo com seu advogado ou com a unidade judicial.

Sinais de alerta

Um só destes elementos já justifica interromper o pagamento e verificar a informação:

Abordagens que exigem conferência
SinalPor que merece atenção
Número novo ou desconhecidoA pessoa diz que trocou de telefone ou que fala pelo financeiro. Nome e foto podem ter sido copiados.
Pressa para pagarFrases como “tem que ser hoje” reduzem o tempo disponível para confirmar a informação.
Taxa para liberar um valorO golpista vincula o recebimento a uma transferência inesperada. Eventuais despesas legítimas precisam ter fundamento e forma de recolhimento verificáveis.
Conta de terceiroO beneficiário não corresponde ao pagamento explicado pelo advogado nem à guia oficial conferida.
Link, código ou acesso ao aparelhoO pedido pode buscar senhas, códigos de autenticação, compartilhamento de tela ou instalação de aplicativo.
Pedido de sigiloImpedir que você consulte seu próprio advogado ou alguém de confiança é um sinal de manipulação.

Como confirmar se o contato é verdadeiro

  1. Pare a conversa e não pague. Não abra os links enviados nem forneça códigos, senhas ou dados bancários.
  2. Procure o escritório por um contato independente. Use o telefone previamente confirmado, o contrato ou um endereço oficial digitado por você. Não use como confirmação o número indicado pelo próprio suspeito.
  3. Confira a identidade profissional. Consulte o Cadastro Nacional dos Advogados e utilize, quando necessário, o Confirma ADV. A existência de um advogado inscrito não prova que o número de WhatsApp pertence a ele.
  4. Verifique a informação processual. Acesse o site oficial do tribunal ou consulte a secretaria da vara. Nem todo documento é visível na consulta pública, especialmente quando há sigilo; peça ao advogado que esclareça o andamento e a eventual ordem de pagamento.
  5. Se a dúvida persistir, confirme pessoalmente. A conferência deve ocorrer antes da transferência, mesmo que a mensagem pareça urgente.

A orientação de prevenção do TJDFT reforça a necessidade de conferir a cobrança com o profissional ou com a Justiça, além de verificar a inscrição na OAB.

Como funcionam os pagamentos legítimos

Custas, tributos e honorários podem existir em um processo. Eles precisam ter origem, cálculo, destinatário e forma de pagamento explicados e verificáveis. Isso é diferente de um Pix inesperado exigido por alguém que promete “desbloquear” um crédito.

O que conferir antes de qualquer transferência
PagamentoComo verificarSinal de alerta
Custas e despesas judiciaisConfira a previsão e a guia no canal oficial competente. Quando houver Pix na guia, valide também os dados do beneficiário.Chave enviada por desconhecido, sem guia ou justificativa verificável.
Levantamento de valoresA liberação depende do procedimento e da ordem judicial aplicáveis. O advogado deve explicar quem recebe e quais documentos ou despesas eventualmente são necessários.Transferência avulsa para “validar”, “desbloquear” ou liberar o alvará.
TributosSe forem devidos, confirme com o advogado a incidência e o recolhimento correto, por retenção ou instrumento oficial, conforme o caso.Suposto imposto urgente para uma conta sem relação demonstrada com a cobrança.
HonoráriosConfira o contrato e confirme a conta do advogado ou da sociedade de advocacia pelo canal habitual.Cobrança inesperada, de número novo, para conta de terceiro não confirmada.

A guia também precisa ser conferida. Logotipos, documentos e comprovantes podem ser falsificados. A aparência oficial, o nome conhecido ou o número correto do processo não substituem a confirmação por outro canal.

Caiu no golpe? O que fazer agora

Aja assim que perceber a fraude. Não espere terminar o boletim de ocorrência para avisar o banco.

  1. Comunique seu banco imediatamente. Relate a fraude, peça o registro da contestação e, se o pagamento foi por Pix, solicite a abertura do MED. Anote o protocolo e acompanhe a resposta. Para outros meios de pagamento, pergunte qual procedimento de contestação é aplicável.
  2. Preserve os registros. Guarde conversas, áudios, números usados, datas, horários, links recebidos e comprovantes. No Pix, preserve a identificação da transação, inclusive o identificador de ponta a ponta, se disponível no comprovante. Faça isso antes de apagar a conversa ou bloquear o contato.
  3. Registre o boletim de ocorrência. Use a delegacia ou o canal oficial de registro eletrônico do seu estado e apresente as provas disponíveis.
  4. Avise o advogado verdadeiro. Pelo contato conhecido, peça a confirmação da situação do processo e informe o uso indevido do nome ou da marca do escritório.
  5. Denuncie a abordagem. Comunique a OAB do seu estado e, após preservar as provas, denuncie o perfil na plataforma utilizada.
  6. Proteja suas contas e o aparelho. Se forneceu senha, código ou acesso remoto, procure imediatamente os canais oficiais do banco e do serviço afetado. Altere credenciais a partir de dispositivo confiável, encerre sessões desconhecidas e ative a verificação em duas etapas. Se a conta foi tomada, avise seus contatos por outro meio.

Não faça um novo pagamento a quem prometa recuperar o dinheiro mediante outra taxa. A primeira providência é procurar o banco e os canais oficiais de apuração.

Como funciona o MED do Pix

O Mecanismo Especial de Devolução é um procedimento do Pix para tentar recuperar recursos em situações que se enquadrem nas regras, como fraude, golpe ou crime. O pedido é feito ao banco ou à instituição de pagamento da própria vítima.

Etapas e prazos informados pelo Banco Central
EtapaO que observar
Pedido da vítimaAté 80 dias contados do Pix. Esse limite não é recomendação para esperar: comunique o golpe imediatamente.
BloqueioO procedimento permite bloquear recursos disponíveis nas contas potencialmente envolvidas, até o limite da transação contestada.
AvaliaçãoAs instituições analisam os indícios de fraude em até sete dias corridos, conforme a orientação do BC.
DevoluçãoConfirmada a fraude, a orientação do BC indica até 96 horas após o fim da avaliação. A recuperação pode ser parcial e depende dos recursos encontrados.

Na versão ampliada do mecanismo, o mapeamento pode alcançar contas para as quais o dinheiro foi transferido. Isso amplia a tentativa de recuperação, mas não garante a devolução. A disponibilidade de saldo e a análise da fraude continuam relevantes. Você pode acompanhar o pedido no aplicativo da sua instituição.

O MED não resolve um simples desacordo comercial, um Pix enviado por engano ou a situação de terceiro de boa-fé prevista nas regras. A comunicação ao banco e o boletim de ocorrência têm funções diferentes e podem ser providenciados em paralelo. Consulte as orientações do Banco Central sobre o MED e a conduta indicada à vítima de golpe.

Direitos da vítima e legislação

O banco pode ser responsabilizado?

Depende dos fatos e das provas. A Súmula 479 do STJ trata da responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fraudes relacionadas ao risco de suas operações, o chamado fortuito interno. Isso não significa que todo golpe gere automaticamente indenização.

Na análise do caso, podem ser relevantes a compatibilidade das operações com o perfil do cliente, os mecanismos de segurança, a regularidade da conta destinatária e a atuação das instituições depois da comunicação. Uma transferência autorizada pela vítima não dispensa o exame de eventual falha do serviço. Da mesma forma, a presença de uma conta usada no golpe, isoladamente, não resolve toda a discussão sobre a responsabilidade do banco recebedor.

O STJ reconhece o dever de identificar operações incompatíveis com o perfil do cliente. Em decisão noticiada em 15 de julho de 2026, referente ao golpe da falsa central, também destacou que a responsabilização não é automática. Esses fundamentos exigem exame das circunstâncias de cada fraude; o precedente da falsa central não deve ser confundido com uma decisão específica sobre todo golpe do falso advogado.

A alegação de culpa exclusiva da vítima ou de terceiro precisa ser demonstrada e analisada em conjunto com a existência de defeito do serviço e de nexo causal. Preserve os protocolos e peça a resposta fundamentada da instituição. Se o problema não for resolvido, avalie os canais de defesa do consumidor e a orientação jurídica adequada, sem pressupor resultado favorável.

Quais crimes podem estar envolvidos?

A conduta pode se enquadrar em estelionato mediante fraude eletrônica, previsto no art. 171, § 2º-A, do Código Penal, cuja pena é de quatro a oito anos de reclusão e multa. O enquadramento depende dos elementos do caso, podendo haver outros delitos e causas de aumento.

O PL nº 4.709/2025 ainda é uma proposta

A Câmara aprovou o projeto em 17 de março de 2026. O texto propõe tratamento específico para fraudes com falsa identidade profissional e dados processuais, além de medidas relativas a credenciais de acesso, bloqueio de recursos e segurança dos sistemas judiciais.

Na consulta à ficha do Senado em 3 de novembro de 2026, o projeto permanecia na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, aguardando designação de relator, com esse estado registrado em 6 de outubro. O projeto não deve ser tratado como lei em vigor. Suas medidas propostas não se confundem com os direitos e procedimentos já existentes.

Nossos canais oficiais

Para confirmar uma mensagem recebida em nome do Grupo Montalvão Branquinho, procure o escritório pelos canais abaixo. Não use o contato enviado pelo próprio suspeito como única forma de conferência.

Contato do Grupo Montalvão Branquinho
CanalContato
Telefone(62) 98284-9495
WhatsAppConversar com o escritório pelo número oficial
E-mailatendimento@grupomb.adv.br
Instagram@montalvaobranquinho.adv

O escritório não pede Pix para liberar valores de processos. Honorários são cobrados conforme o contrato. Qualquer dúvida sobre despesas, destinatários ou instruções de pagamento deve ser esclarecida pelo canal oficial antes da transferência.

Conclusão

O golpe do falso advogado explora a confiança no profissional e a expectativa de receber um valor judicial. Confirmar o contato por outro canal, conferir o destinatário e resistir à pressão por urgência ajuda a interromper a fraude antes do pagamento.

Se a transferência já ocorreu, avise o banco, preserve as provas e registre a ocorrência. O Grupo Montalvão Branquinho pode orientar sobre a documentação do caso, o pedido de devolução e a análise de eventual responsabilidade das instituições envolvidas. Compartilhe estas orientações com familiares e pessoas que tenham processos em andamento.

Conteúdo informativo revisado em 3 de novembro de 2026. A aplicação das normas e dos procedimentos depende das circunstâncias e de eventuais alterações posteriores. Imagem de abertura ilustrativa criada com inteligência artificial a partir do símbolo oficial do escritório.

Fontes e leitura complementar